terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Ninguém “dá caneta”!

A afirmação do título não é minha: é do jornalista Fran Augusti. Ontem, postei aqui um comentário sobre aquele belo gol de calcanhar que o Robinho fez contra o São Paulo (volto a afirmar: gol de calcanhar, não de letra). O assunto rendeu como o precioso amigo leitor poderá verificar nos comentários abaixo.

Se foi letra ou calcanhar – nada vai mudar no mundo. As bolsas continuaram com suas oscilações malucas, o índice Nasdaq vai subir (e depois cair); o Haiti continuará precisando de ajuda etc. etc.

Mas, se para quem sabe ler um pingo é letra; para quem jogou futebol calcanhar é uma coisa e toque de letra é outra.

O jornalista Fran Augusti dirigiu, durante muitos anos, o esporte do Estadão – portanto, entende de jornalismo; foi jogador de futebol e eu tive a oportunidade de vê-lo em campo – portanto, entende do riscado.

Ele me mandou o artigo que se segue onde aborda a questão da “caneta”. No meu tempo de jogador de futebol, como nos tempos do Fran, dizia-se que o cara passou a bola entre as pernas do outro ou entre as canetas. Mas, dar caneta, não!

Leiam o artigo do Fran.

Ninguém “dá caneta”!


Na segunda semana de fevereiro, logo após Robinho ter voltado do Manchester City e feito seu reingresso no Santos, marcando um gol na vitória por 2 a 1 frente ao São Paulo, Mário Marinho, com muita propriedade, comentou – e provou – que o gol do atacante santista foi de calcanhar e não “de letra”. Hoje em dia, essas “particularidades” são consideradas idiossincrasias de jornalistas jurássicos. Mas o que tem de, para usar um termo mais “moderno”, de não-conformidade na mídia escrita, falada e televisada (argh!) é um “loucura”.

É o caso por exemplo da expressão “caneta”. Alguns “coleguinhas” (e desculpem-me os demais) que talvez nunca tenham usado uma chuteira, falam e escrevem que “fulano” ou “sicrano” “deu uma caneta”. Ninguém dá “caneta”!. Para os mais jovens, ou menos informados, não custa esclarecer que “caneta” era o nome que, em priscas eras, dava-se ao “arco” ou “vão” das pernas do adversário. Assim, a bola passava “pelas canetas”, terminologia utilizada para mostrar que a bola havia passado entre as pernas do adversário. Isso porque, normalmente – e até hoje é mais ou menos assim – os zagueiros eram todos fortes, grandes truculentos, violentos até e ruins de futebol. Quando um atacante mais “ousado” encarava-os, jogava a bola entre as pernas deles , que ficavam presas no gramado como se fossem duas “canetas” em pé, daí a gíria criada pelos “boleiros”!

Vejam no linque abaixo belo lance em que ronaldinho, marginho, mete a bola entre as pernas do adversário.
http://www.youtube.com/watch?v=pTbiQwrhptkhttp://www.youtube.com/watch?v=pTbiQwrhptk

Enquanto isso, no Irã - A oposição do governo do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad afirma que atualmente existem no país 55 jornalistas presos. De acordo com o site Kaleme, do candidato derrotado e líder da oposição Mirhossein Mousavi, nove jornalistas e fotógrafos foram presos nos últimos dois dias.

Outro site, o Parleman News, informou que uma jornalista, que não estava entre os citados pelo Kaleme, foi presa no último domingo.

Desde as eleições presidenciais de 12 de junho, o Irã foi tomado por protestos de opositores que acreditam que houve fraude na reeleição de Ahmadinejad. Muitos manifestantes foram presos, entre eles jornalistas de veículos de oposição.

As informações são da agência Reuters, divulgadas no site http://www.comunique-se.com.br/

Só para lembrar, Ahmadinejad é aquele amigo do Lula, que esteve recentemente no Brasil e que não reconhece a exitência do holocausto. Mas Lula também não reconhece nenhuma irregularidade na eleição do moderado Ahmadinejad.
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Robinho fez um gol de letra ou de calcanhar?

Tá bom. Você pode achar que dúvida ou a discussão em questão não tenha o menor interesse. Discussão bizantina, Você dirá. Ou, como dizia um velho amigo do interior, “quando Você toma o leite, não interessa a cor da vaca.”

Concordo. Acima de tudo está o gol da vitória.

Mas, como futebol é polêmica, vamos lá.

No meu tempo de jogador de futebol ou mesmo das peladas de rua – e lá se vão alguns anos , o gol do Robinho seria de calcanhar ou de chaleira.

Há uma diferença fundamental. A letra é uma jogada em que se bate na bola com o bico da chuteira e não com o calcanhar ou lado da chuteira. Cruza-se a perna e alcança a bola com o bico. Não foi o que Robinho fez.

No linque abaixo, Você verá uma jogada de letra feita num game. Serve apenas para ilustrar, já que a imagem está muito boa.


Mas Você, incrédulo, via dizer: bobagem, isso é um game.

Pois bem, então clique no linque abaixo e veja a jogada de Hugo, do São Paulo


Convencido agora?

Vamos ao jogo. O Santos mereceu ganhar. Foi mais time. Vou mais longe: se nenhuma atrapalhada pintar no caminho desses menino da Vila, vai ser difícil tirar o título do Santos. Pelo menos o título paulista. Paulo Ganso, Neymar e Robinho apavoram qualquer adversário.

Se o Arouca mostrar um pouco do ótimo futebol que jogou no Fluminense, antes de se transferir para o São Paulo, e se acertar com Marquinhos e Rodrigo Mancha, estará formado um meio-campo de muita força que dará a necessária proteção à uma defesa que já tem os bons Edu Dracena e Léo.

Rogério Ceni sabe tudo – O excelente goleiro do São Paulo é um misto de “Papai sabe Tudo” (uma série que fez muito sucesso na televisão nos anos 60) e Deus. Na verdade, está mais para Deus.

No intervalo do primeiro para o segundo tempo, chegou perto do garoto Neymar e pontificou, ameaçadoramente: “Aquela paradinha que Você deu é proibida na Europa, sabia?” Rogério se referia à cobrança do pênalti que resultou no primeiro gol do Santos.

Há realmente uma discussão sobre a tal paradinha (ou paradona, como aquela do Neymar). Mas será que alguém já disse ao Rogério Ceni que também é proibido o goleiro se adiantar na cobrança do pênalti? Se o cobrador demorar a bater o pênalti, Rogério chega na bola antes dele. E proibição, Rogério, Não é só na Europa não: é em todo o mundo do futebol.
 
Belas jogadas - Se o amigo tiver um tempinho para o lazer, entre no linque abaixo e veja uma coletânea de belos gols que são paresentados como letra ou calcanhar. Na minha opinião, são todos de calcanhar.
 
 
Divirta-se.

Pra quem gosta de futebol - Já estão nas bancas duas publicações especiais da On Line Editora. A primeira é de interesse específico, pois se trata de uma revista especial do Flamengo, o time da moda (pelo menos no Rio ou pelo menos para os flamenguistas). É um desfile de astros e de conquistas do grande Mengão, por onde pontificou em meados do século passado, o doutor Rúbis.

Depois vieram outros: Dequinha, Zagallo, Júnior, Zico e tantos mais até chegar ao tal Império do Amor, fomado por Adriano e Vágner Love.

A outra revista é de interesse de quem realmente gosta de futebol acima das paixões clubísticas. Trata-se do Guia da Liga dos Campeões, a mais charmosa competição interclubes que existe no mundo.
Por suas páginas, Você conhecerá clubes e craques que estarão desfilando por sua tevê nos próximos dias.
Imperdíveis.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Bomba: Fifa convoca São Paulo e Rio de Janeiro

Os comitês que cuidam da organização da Copa Brasil 2014 em São Paulo e no Rio de Janeiro foram convocados para reunião urgente em Zurique nesta segunda-feira.

A Fifa não esclareceu qual a pauta da reunião, apenas pediu que os comitês mandassem seus representantes.

A coordenadora do Comitê de São Paulo é Raquel Vertenacci que embarca neste domingo e deverá estar de volta na quinta-feira.

Como o Maracanã já está praticamente definido como o estádio do encerramento e o Morumbi surge como principal candidato à abertura, tudo leva a crer que os assuntos a serem discutidos estão, exatamente, relacionado a esses dois assuntos.

A coordenadora Raquel Vertenacci viaja munida dos planos não só das reformas do estádio do Morumbi, como também das obras que o governo deverá fazer no entorno do estádio.

Desde que o Brasil foi escolhido como sede da Copa 2014, esta é a primeira vez que brasileiros e membros da Fifa se reúnem em Zurique. Todas as outras reuniões foram no Rio de Janeiro.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Reinventando a roda

Há poucos dias, o ministro das relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, leu, em Davos, suíça, um discurso do presidente da República, onde Lula, tomado da modéstia que lhe é peculiar, disse que está tudo errado: é preciso reinventar o Mundo. Simples assim.

Volta e meia, aparece alguém querendo reinventar a roda.

A moda, agora, está no futebol. Mais precisamente, no Corinthians e no São Paulo cujos técnicos resolveram que a cada jogo devem escalar um time diferente.

Segundo eles, é preciso dar movimentação a todo o plantel para conhecer melhor os jogadores. Até alguns anos atrás, os treinos serviam exatamente para isso.

Nesta longa estrada vida futebolística que já percorri, aprendi e ouvi, repetidas vezes, que no esporte coletivo, além do talento de cada um, é preciso um outro elemento de fundamental importância: o entrosamento.

O tal entrosamento é mais ou menos como inspiração: não se compra nem se vende. Entrosamento se adquire ao longo dos treinamentos, das repetições, dos ensaios.

Um jogador de basquete ao pegar um rebote debaixo de sua rede, lança par ao companheiro em disparada por uma das alas quase que de olhos fechados: ele sabe que o companheiro estará lá. E como sabe? Porque treinaram juntos, repetiram as jogadas, jogam juntos há algum tempo.

Ricardo Gomes, no São Paulo, e Mano Menezes, no Corinthians, lêem o futebol por outra cartilha. Lá não está escrito que se trata de um jogo coletivo, de associação. Nessa cartilha, os jogadores são peças jogadas dentro de campo e que têm que se virar.

O resultado disso é o lamentável futebol que o Corinthians vem apresentando. Ontem, na derrota para a Ponte Preta. 2 a 1, foi duro de assistir.

O time se movimentou em campo como aqueles junta-junta que se fazem normalmente para as peladas de praia, do churrasco no sítio etc.

Fico aqui pensando com meus esportivos botões: será que o Ronaldo precisa mesmo de todo esse descanso ou ele está mandando mais do que deve?

O São Paulo venceu ontem com dois gols que nasceram de jogadas entre Dagoberto e Washington. São jogadas próprias de quem tem entrosamento, de quem joga junto. Ainda bem, para os são-paulinos, que Ricardo Gomes deixou a dupla jogar ontem. Mas, e no próximo jogo?

Entre nesta

Jornalistas&Cia é um portal voltado para o vasto mundo dos jornalistas como o título, aliás, já diz. Seu criador é o jornalista Eduardo Ribeiro. Jornalistas&Cia está empenhado agora em uma bela campanha: fazer com que o mundo conheça do padre Landell de Moura, o brasileiro que inventou o rádio muito antes de Marconi. São dele também outras invenções como Você pode ver no anuncio ao lado. Veja como participar dessa importante campanha.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Robinho, o filho pródigo.

Não é só para os torcedores do Santos que a volta de Robinho é uma baita notícia. Também para todo e qualquer amante do futebol que poderá ver, a partir da semana que vem, mais amiúde, o alegre futebol de Robinho que, em dados momentos, nos faz rir, diverte e nos transporta aos tempos de criança, como faziam Garrincha, os palhaços e os mágicos dos circos mambembes que freqüentavam os bairros da periferia.

Robinho volta como uma espécie de filho pródigo.

Certamente Você conhece a parábola, mas não custa lembrá-la.

Trata-se da história de um homem rico que tinha dois filhos. Um deles, o mais novo, cansado daquela vida, pede ao pai que lhe dê a sua parte na herança e sai mundo a fora. Gasta todo dinheiro. Vive dificuldades, passa fome, sede, frio.

Cansado, esfomeado, sedento ele volta e pede abrigo ao pai.

O pai, generoso, recebe o filho de braços abertos. Manda que lhe coloquem no dedo um novo e rico anel (que significa nova aliança entre eles); que lhe cubram o corpo com novas e finas vestes (que representam um novo espírito) e lhe calcem os pés com confortáveis sandálias, que representam novos caminhos.

Assim, Robinho deve ser recebido. Com renovado sentimento de amizade (o anel); a nova-veha camisa santista (as vestimentas) e confortáveis sandálias( as chuteiras).

Para o bem do Santos, que não aconteça com Robinho o que aconteceu com o irmão do filho pródigo que foi tomado de inveja; que os seus irmãos, os companheiros de time, o recebam bem; que o alto salário que receberá do pai rico não seja motivo de desarmonia na família santista.

Mas, acima de tudo, fique a lição para os jovens que estão despontando no Santos.

Robinho, em 2005, virou às costas para o Santos que o revelou, seduzido pelos milhões oferecidos pelo Real Madrid; pouco depois, virou as costas ao Real e se deixou, novamente, seduzir por milhões de moedas desta vez oferecidas pelo quase obscuro Manchester City.

Foi em busca de dinheiro e encontrou a confessada infelicidade.

Com o bolso cheio, mas infeliz, sedento, esfomeado de carinho e amor, o filho pródigo à casa torna.

Seja bem vindo, Robinho.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Por que não o Nobel da Paz para Zilda Arns?

A bem da verdade, devo dizer que não tenho conhecimento de um Prêmio Nobel póstumo. Nas pesquisas que fiz, não encontrei referências, nem tão pouco algum tipo de proibição a essa premiação.
Como não sou um expert em Prêmio Nobel, se algum amigo tiver essa informação, gostaria de compartilhá-la com outras pessoas.
Zilda Arns trabalhou pela Paz Mundial muito mais do que outros nobres premiados – não estou colocando em questão nenhum dos prêmios concedidos anteriormente.
Quando Alfred Nobel, inventor da dinamite, deixou imensa fortuna para que se criasse uma fundação com o objetivo de premiar pessoas que se destacassem em: Física, Química, Medicina, Literatura e Paz sua filosofia foi reconhecer um trabalho grandioso nessas categorias.
A luta contra a fome, principalmente a fome que atinge às crianças – incapazes de, por si só, encontrarem meios para vencê-la -, luta-se pela Paz, pelo futuro do Mundo.
Médica pediatra, Zilda Arns tornou-se missionária, levando – primeiro a municípios carentes brasileiros e depois ao mundo – ensinamentos básicos e úteis que salvaram milhões de pequeninas vidas. Coisas simples como ferver a água que se vai beber em localidades onde não havia tratamento de água; conceitos de higiene; melhor aproveitamento de alimentos; o plantio de hortas caseiras – enfim, pequenas coisas a alcance de quem poucas coisas pode alcançar.
Em 1983, a pedido da CNBB, Zilda Arns fundou a Pastoral da Criança. Nasceu como um movimento da religião católica mas que avançou pelo mundo, ultrapassando barreiras impostas por crenças religiosas, ideologias políticas, cor da pele etc.
A filosofia dela era bíblica. Se foi possível a multiplicação dos pães, era possível também a multiplicação do trabalho através dos voluntários. Hoje, no mundo, são algumas centenas de milhares de voluntários empenhados em difundir os ensinamentos simples e práticos de Zilda Arns.
Há poucos anos, ela criou a Pastoral do Idoso levando seus ensinamentos, sua bondade, seu amparo ao outro lado da corrente humana – o lado onde estão aqueles que já produziram e hoje não têm mais condições de produzirem e, por isso, precisam tanto de amparo quanto as crianças que ainda não começara a produzir.
O governo brasileiro, em três ou quatro ocasiões, já indicou a Pastoral da Criança para o Prêmio Nobel da Paz.
O Prêmio Nobel tem dois aspectos. O primeiro, na forma de uma medalha, em reconhecimento ao trabalho desenvolvido. O segundo, premiação em dinheiro (cerca de R$ 3 milhões) para que o premiado possa continuar o seu trabalho.
Zilda Arns, com toda certeza, abriria mão da premiação em dinheiro em favor das duas pastorais, da Criança e dos Idosos. Um quantia que, certamente, ajudaria muito no crescimento do trabalho.
Mais do que isso, a premiação funcionaria como motivação para que o movimento cresça ainda mais por todo o mundo.
Aos 75 anos, esbanjando vitalidade, Zilda Arns trocou a tranqüilidade do lar, o gostoso carinho dos netos pelas desconfortáveis viagens por esse mundo a fora.
Quis o destino que Zilda Arns morresse exatamente dentro de uma igreja, um templo onde muitas vezes ela fez orações pedindo pela vida dos carentes – pequenos ou grandes.
Por que Deus fez isso? Talvez por que o Haiti precise tanto de ajuda, que Ele resolveu que ela deveria ficar eternamente lá.


Na foto, Alfred Nobel, sueco, inventor da dinamite, que instituiu, por testamento, a Fundação Nobel a partir de sua morte, em 1895. O primeiro Prêmio Nobel foi entregue em 1901

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O absurdo do atentado de Angola

O esporte, cuja história se perde nas poeiras do tempo, tem sido usado mas diferentes formas – da prática saudável, como foi sua origem, à sordidez dos atentados terroristas.
Dos gladiadores romanos de tempos imemoriais aos craques de futebol de hoje, explora-se o esporte segundo à vontade de quem quiser.
Em 1972, o mundo ficou boquiaberto com o atentado aos judeus na vila Olímpica, na Alemanha. Foi na manhã do dia 5 de setembro quando oito terroristas da OLP (Organização para Libertação da Palestina) invadiram os dormitórios da delegação judia e matou dois deles. Depois, na tentativa de libertação dos outros judeus feitos reféns, novo foram mortos (além de cinco terroristas, dois policiais e um piloto de helicóptero).
O esporte é usado também para fins políticos – às vezes de paz, às vezes eleitoreiro.
Um bom exemplo de paz foi a “Diplomacia do Ping-Pong”.
Era o ano de 1971. O Presidente americano era Richard Nixon e o Primeiro ministro chinês Chu en Lai .Os Estados Unidos e a China eram países inimigos.A cadeira chinesa na Onu era irregularmente ocupada pela ilha de Taiwan .O Primeiro ministro chinês Chu en Lai convidou jogadores americanos de ping-pong a visitarem a China e disputarem um torneio com jogadores chineses entre terça feira 10 de junho e 12 de junho de 1971. Nixon autorizou a ida dos americanos e esse episódio ficou conhecido na história como a Diplomacia do Ping-Pong . Esse jogo permitiu a visita de Nixon a China em 1972 e o restabelecimento de relações entre americanos e chineses e a consequente entrada da China na ONU.
Os exemplos do uso político do esporte, principalmente o futebol, no Brasil, são vários. São desde a construção de estádios de futebol com capacidade quase igual à da população da cidade. O Estádio leva o nome do prefeito ou de algum parente seu e, pronto, está armado o palanque para as próximas eleições.
Já não seu usa mais, mas foi muito freqüente nos anos 60 a presença de jogador de futebol em palanque de dirigente-candidato. Garrincha, recém-contratado pelo Corinthians, esteve muitas vezes no palanque o então presidente do clube e candidato a deputado estadual Vadih Helu.

Agora, o futebol é abalado pelo atentado terrorista contra a Seleção de Togo, em Angola. Duas pessoas morreram e um jogador corre o rsico de fica paraplégico.


Absurdo por si só, o atentado torna-se ainda mais absurdo num momento em que a Angola que se apresentr ao mundo como um país unido e em paz. Também num delicado momento em que a Copa do Mundo de 2010 entra em sua reta final e a África do sul se esmera nos últimos preparativos.


Além de absurdo, o atentado terrorista é covarde: faz vitimas que, normalmente, nada tem a ver com a luta reivindicatória e não dá a menor chance de defesa.


Que defesa tem um time de futebol, dentro de um ônibus, cercado por terroristas. Ou uma pessoa que está dentro de um restaurante ou de um transporte coletivo quando um homem-bomba se explode?


É difícil de entender.


Outro absurdo – Antigamente – mas não tão antigamente assim – todo jogador de pequeno sonhava jogar em algum time grande. O futebol do interior era chamado de celeiros de craques. Era lá que os times das grandes cidades buscavam as revelações.
Pois bem, o Palmeiras não terá mesmo Vágner Love. O Palmeiras não quer mais o jogador, o jogador não quer mais o Palmeiras. O Flamengo quer o jogador e o jogador quer o Flamengo.
Por isso, o Palmeiras tratou de procurar um novo camisa 9. Nada melhor do que o artilheiro do Brasileirão do não passado, Val Baiano, que marcou 18 gols defendendo o Barueri.
Val Baiano já está com 28 anos (Jequi-e, 07/04/1981) e já passou por uma dezena de times. Ninguém pode garantir que ele será, também no Palmeiras, o mesmo artilheiro. Ser o centroavante de um time pequeno – e uma coisa, de um time grande, é outra. Numa equipe pequena, o time todo joga em função dele; no time grande, não. Os exemplos são muitos. Vem-me à cabeça, Finazzi artilheiros por muitos times e um fiasco no Corinthians. Mesma história do Acosta.
Pois bem, o Palmeiras resolveu correr o risco e foi atrás de Val Baiano. Conversa vai, conversa vem, quando falaram em salário; Val Baiano deu um pulo e achou falta de consideração o que o Palmeiras lhe oferecia: apenas R$ 100 mil por mês. Só. Apenas isso.
São quase 60 mil dólares por mês, salário que poucos executivos ganham no mundo. Mas é pouco para o Val Baiano.
E estranho, muito estranho o mundo do futebol.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Mengo, tu és o maior!

O título acima é um bordão que se usava no programa "Balança mais não cai", líder de audiência da campeoníssima rádio Nacional, do rio de Janeiro, na década de 50. Pelo que mostra a pesquisa abaixo, o flamengo continua o maior.
Segundo pesquisa feita pelo instituto Datafolha, entre 14 e 18 de dezembro de 2009, em todo o território nacional, o Flamengo é o time de maior torcida no Brasil.
A pesquisa mostra também que para 64% dos brasileiros, Dunga está fazendo um trabalho ótimo ou bom frente à seleção. Outro dado: 73% acham que o Brasil será o campeão da Copa do Mundo de 2010.

Mengão - O Flamengo é o time de maior torcida entre os brasileiros (19%); em segundo lugar fica o Corinthians (13%). Já o time do São Paulo representa 8% dos torcedores, seguido pelo Palmeiras (7%), pelo Vasco (5%), Cruzeiro (4%) e Grêmio e Internacional – RS (3%, cada).
Considerada a margem de erro da pesquisa, a torcida flamenguista tem oscilação positiva de dois pontos percentuais em relação à pesquisa de agosto de 2007 (17%), provavelmente em virtude da conquista do título do Campeonato Brasileiro de Futebol de 2009.
Já o percentual dos que torcem pelo Corinthians permanece estável desde levantamento realizado em novembro de 1993 (10%), e praticamente igual desde outubro de 2005 (13%).
O mesmo corresponde a todos os outros times, após essa data.
Com 2% cada, ficam Santos, Atlético Mineiro e Botafogo.
Cerca de um quarto dos brasileiros (23%) não têm time de futebol preferido.
No Estado do Rio de Janeiro, a torcida do Flamengo atinge 51%. Mas a torcida do time carioca também se destaca entre os que moram no Distrito Federal (33%) e entre os que têm até 34 anos de idade (23%).
Por sua vez, o Corinthians detém 33% da torcida por algum time no Estado de São Paulo, além de 20% no Paraná, e de 18% entre os que têm até 24 anos de idade.
O São Paulo e o Palmeiras são os times preferidos, respectivamente, por 19% e 15% dos que vivem no Estado do São Paulo.
Dunga em alta - A pesquisa Datafolha revela que o trabalho do técnico Dunga frente à seleção brasileira de futebol é aprovado pela maioria dos brasileiros: 64% avaliam-no como ótimo ou bom.
A aprovação de Dunga cresceu 31 pontos percentuais em relação à pesquisa de novembro de 2008, quando era aprovado por 33%, e é maior do que a verificada em novembro de 2007, quanto atingiu 44%.
Vale lembrar que Dunga assumiu o comando da seleção em julho de 2006, logo após a última Copa do Mundo realizada.
O Datafolha ouviu 11.258 pessoas com 16 anos ou mais em todo o território nacional. A margem de erro para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Consideram regular o desempenho de Dunga 21% (parcela que era de 32% em novembro de 2008), e apenas 3% acham que ele é ruim ou péssimo. Não sabem avaliar o trabalho de Dunga, 12%.
Hexacampeão - O Brasil será o campeão da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Pelo menos é o que pensam 73% dos brasileiros. Entre outras seleções votadas, Argentina, Espanha, Itália, Alemanha e França são citadas por 1%, cada, enquanto outras menções não chegam a atingir 1%, cada. Vale notar que 5% dos que têm renda familiar acima de dez salários mínimos acham que a Espanha será a campeã. Não têm nenhum palpite 19%.
Metade dos brasileiros (53%) não sabe sugerir qual jogador Dunga deveria convocar para a Seleção Brasileira, entre os que não estão sendo convocados, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo, do Corinthians, são os mais citados (14%, cada) entre os que deveriam ser convocados, seguidos por Rogério Ceni do São Paulo (3%), além de Marcos, do Palmeiras, e Diego Souza (2%, cada).
Ronaldinho Gaúcho é citado por 22% dos conterrâneos de seu Estado, e por 21% dos homens, enquanto Ronaldo, do Corinthians é votado por 24% dos moradores da cidade de São Paulo, além de ficar acima da média entre os mais jovens (18%).
Romance – A Sá Editora acaba de lançar o romance “O Atentado”, de Yasmina Khadra (256 páginas, R$ 33,00). O livro conta a história de Amine, um cirurgião israelense de origem palestina, que sempre se recusou a tomar partido nos conflitos que opõem seu povo de origem a seu povo de adoção, dedicando-se integralmente a seu trabalho e à sua esposa, que ama apaixonadamente. Até que um dia um terrorista se explode dentro de um restaurante, matando adultos e crianças. Amine é chamado para reconhecer o corpo mutilado de sua mulher, a quem acusam de ser a mulher-bomba.
Uma cena comum nesta guerra fratricida, mas que revira o destino de Amine. A investigação que ele empreende a partir daí o conduzirá ao coração do inferno e o colocará frente a frente a uma situação que ele se recusava a enfrentar após tantos anos de vida na neutralidade em Tel-Aviv.
Os romances de Yasmina Khadra (pseudônimo de Mohamed Moulessehoul), escritor argelino foram traduzidos em 14 países: Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Holanda, Alemanha, Suíça, Itália, entre outros. É considerado por J.M. Coetzee, Prêmio Nobel de Literatura 2003, como um dos maiores escritores da atualidade.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Xiii, não é que começou o ano!


O ano, ao contrário do que pensam os fabricantes de calendário, não começa no dia primeiro de janeiro.
Na verdade, o Dia Primeiro apenas marca o fim da festa do réveillon e o início de uma provável e imensa ressaca.
Este ano, Dia Primeiro caiu numa sexta-feira. Quem, em sã consciência, vai começar o ano numa sexta-feira? Ou aquele regime prometido, a vida nova, o fim do cigarro, dar um tempo na bebida... Numa sexta-feira? Nem pensar.
Assim, a maioria adia para a segunda-feira seguinte. E começa. Mas começa só mesmo por aquelas atividades das quais não pode se livrar: o trabalho, por exemplo. As outras – tipo regime, parar de fumar, de beber – ficam pra outra segunda-feira. E depois a outra...
Nosso esporte também é assim. Atividades de verdade só mesmo dentro de alguns dias.
Passei o fim de ano em Belo Horizonte, onde não encontrei uma notícia sequer do meu América. Certo dia, estava vendo o Globo Esporte local, quando a simpática apresentadora pronunciou o nome do América.
Larguei meus afazeres – eu estava, sim, trabalhando – e me postei frente à tevê para matar saudades do meu Coelho (é o símbolo do América MG, para quem não sabe). Acabou o intervalo comercial, a moça voltou ao noticiário do Atlético, do Cruzeiro, do Corinthians, do rali Paris-Dacar, que agora é na América do Sul, e nada do meu América.
Só então caí na real: já havia passado o noticiário. Aquilo que eu pensei que fosse uma chamada, já era o noticiário. Coisa de 10 ou 15 segundos. Pobre América, pobre americanos.
Masters – Quando eu era adolescente, na quase extinto Parque Riachule de BH, passou por minhas mãos um daqueles cadernos escolares cheio de frases e pensamentos. Sempre havia uma garota com letra bonita que organizava esse tipo de publicação e o mantinha sempre arrumadinho.
Lembro-me de um: “Não confie em um homem só por causa de seus cabelos brancos: os canalhas também envelhecem.”
Sempre que vejo meus cabelos brancos, ainda bem que os tenho, vem-me à cabeça esse pensamento.
E agora, por que ele veio?
Porque penso no Corinthians montando um time de masters para disputar a Libertadores. Aí estão Roberto Carlos, Iarley, Tcheco e outros igualmente veteranos, porém menos votados.
Será que o fato de ter idade quer dizer experiência? Sei não, sei não
Máscara – Também não sei explicar o porquê, mas toda vez que se fala no lateral Roberto Carlos, me vem à cabeça uma história que presenciei no Parque Antártica, em 1970. eu era repórter do Jornal da Tarde e estva cobrindo o Palmeiras.
O treinador do Palmeiras era Rubens Minelli.
Emerson Leão era um goleiro que estava em começo de carreira. Havia jogado no São José e no Comercial, de Ribeirão Preto, com o qual caíra para a Segunda divisão.
Mas o Leão já era Leão – mesmo em começo de carreira.
Era uma tarde fria e eu estava sentado ao lado de Rubens Minelli no banco de reservas, batendo papo. No gramado, alguns jogadores se exercitavam. De repente, acerca-se do banco um elegante jovem com um grosso sobretudo que lhe protegia do frio (que nem era tão intenso assim) até o meio das canelas, o pescoço envolto em fino cachecol.
Era o Leão.
Que se virou para Minelli e disse:
- Seu Minelli (naquele tempo, os jogadores não chamavam os técnicos de professor), não vai dar pra treinar. Estou com o pescoço duro, está me incomodando muito.
Minelli:
- Também com a máscara que Você carrega, não tem pescoço que agüente...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Então é Natal...

e ano novo também...
Por isso, vamos esquecer o campeonato que passou porque já vem outro por aí.
Vamos ganhar o próximo.
Vamos ganhar a Copa também.
Enquanto isso, vá curtindo as charges abaixo.

http://charges.uol.com.br/2009/12/14/times-do-brasileirao-sei-la/

http://charges.uol.com.br/2009/12/02/brasileiros-cantam-saudosa-maloca/

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Noite de Messi

Só mesmo uma zebra muito grande pode impedir o argentino Messe, craque do Barcelona, de ganhar hoje o prêmio de melhor jogador do mundo, dado pela Fifa.
Os dois últimos vencedores, Cristiano Ronaldo e Kaká, que poderiam ameaçar não tiveram uma boa temporada, até mesmo por contusões que os tiraram de muitos jogos.
Os três – Messi, Kaká e Cristiano – estão, cada um no seu estilo, num mesmo plano, com diferenças mínimas. Os três estão bem abaixo de Maradona, que está quilômetros abaixo de Pelé.
Messi não é uma unanimidade na Argentina. Talvez até por não ter jogado lá, já que foi para o Barcelona com 12 anos de idade. Mas o que pesa mesmo são suas fracas atuações na Seleção Argentina. O apaixonado torcedor não perdoa: acha que ele se esforça mais no Barcelona do que defendendo a bela camisa alviceleste do país do tango.
Eu não concordo.
A Seleção joga de um jeito e o Barcelona de outro. Como ele passa muito mais tempo no time espanhol do que com a seleção de seu país, é claro que o entrosamento é muito maior. Na Seleção quase não há tempo para treinar e os jogadores se ressentem disso. Só mesmo craques fora de série conseguem superar essa barreira. Messi apenas craque.

Quem já ganhou – Desde que o prêmio foi instituído, em 1991, foram estes os vencedores:
1991 – Lothar Mathaus (Alemanha)
1992 – Marco van Basten (Holanda)
1993 – Roberto Baggio (Itália)
1994 – Romário (Brasil)
1995 – George Weah (libeeriano que, na época, defendia o Paris Saint Germain
1996 - Ronaldo (Brasil)
1997 - Ronaldo (Brasil)
1998 - Zinedine Zidane (França)
1999 - Rivaldo (Brasil)
2000 - Zinedine Zidane (França)
2001 - Luís Figo (Portugal)
2002 - Ronaldo (Brasil)
2003 - Zinedine Zidane (França)
2004 - Ronaldinho Gaúcho (Brasil)
2005 - Ronaldinho Gaúcho (Brasil)
2006 - Fabio Cannavaro (Itália)
2007 - Kaká (Brasil)
2008 - Cristiano Ronaldo (Portugal)
Como se vê, o Brasil dá de lavada: são oito jogadores premiados.
Outra curiosidade: de todos os vencedores, apenas um não é atacante: o italiano Fabio Cannavaro, apelidado de "Muro de Berlim".

Marta mais uma vez? - Também na noite de hoje será divulgada a escolha da melhor jogadora do ano.
A espetacular Marta é, mais uma vez, uma das favoritas. Ela já foi a escolhida em 2006, 2007 e 2008. Agora, tem em sua companheira de clube, o Santos, a Cristiane uma forte concorrente.
Além da brasileira, outras fortecandidatas são as alemãs Inka e Birgit Prinz e a inglesa Kelly Smith


domingo, 20 de dezembro de 2009

Desfecho triste para a COP-15. e para o nosso Planeta.

Elizabeth Oliveira/Report Comunicação (texto e fotos)
De Copenhague




A morte anunciada da COP-15 se confirmou neste sábado, 19. Não houve consenso em torno do tal Acordo de Copenhague, que deveria ter sido assinado na tarde de sexta-feira, 18, fechando oficialmente a 15ª Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU. Líderes políticos que estiveram na capital da Dinamarca para tentar salvar o evento do fiasco histórico fracassaram na missão. Negociadores cochilando, exaustos depois de um dia tenso e de uma madrugada em claro, ficaram como última imagem desta caótica convenção.
Uma decisão sobre o que se fará quando terminar o prazo do Protocolo de Kyoto, cuja obrigatoriedade de cumprimento de metas de redução de emissões de gases do efeito estufa para países desenvolvidos vai de 2008 a 2012, foi adiada para a COP-16, em dezembro de 2010, no México. Antes disso, os negociadores que têm nas mãos o futuro do equilíbrio climático, se encontram mais uma vez em Bonn, na Alemanha, em meados do ano que vem.
Diante da falta de unanimidade, a ONU “tomou nota” do Acordo de Copenhague. No jargão jurídico, pelo que foi esclarecido à mídia, o texto final tem força legal ainda que não tenha metas obrigatórias mencionadas e nem tenha sido assinado por todas as Partes (assim são chamados os membros da Convenção do Clima que totalizam 193 países). No entanto, não há desculpa para que cada nação deixe de fazer a sua parte para reduzir emissões de carbono e outros gases do efeito estufa. O texto serve também de sinalização para um processo de entendimento que ainda tem muito chão pela frente.
Um dos pontos mencionados no pífio texto final de Copenhague é o esforço que se deve fazer para controlar o aumento da temperatura em no máximo 2ºC, segundo a ciência é o que o planeta pode suportar, embora existam muitas controvérsias. Outro aspecto citado é a criação de um fundo para financiar ações de adaptação às mudanças climáticas nos países mais pobres. A expectativa é de que até 2020 sejam arrecadados US$ 100 bilhões, por ano, para bancar essas iniciativas. Em três anos, há um comprometimento de doação de US$ 30 bilhões, dos quais já estão garantidos US$ 25,2 bilhões que serão doados pelos Estados Unidos (US$ 3,6 bilhões), União Europeia (US$ 10,6 bilhões) e Japão (US$ 11 bilhões). Quanto ao restante dos recursos, não se sabe ainda de onde virá.

Palco de inúmeros constrangimentos
Fica para trás, cercado por uma paisagem gelada, o Bella Center (na foto ao alto), centro de eventos oficiais da COP-15 que nas últimas duas semanas foi palco de cenas constrangedoras que correram o mundo e revelaram sua desorganização. Essa Convenção do Clima entra para a história como a que mais limitou o acesso da sociedade civil às discussões e se encerra sob o estigma da arrogância, do desrespeito e da falta de transparência de seus organizadores.
Filas gigantescas com jornalistas, observadores e outros cidadãos esperando horas para ter acesso aos locais de credenciamento, ou mesmo para entrar nas instalações depois de credenciados, representam um dos piores exemplos da desordem.
Os organizadores afirmaram que prepararam condições para receber 15 mil pessoas e tiveram mais de 45 mil pedidos de inscrição. Mas, quantos afinal foram aceitos e quantos participantes circularam nos dias da convenção? Não se sabe ao certo. Colegas jornalistas que estiveram no Bella Center contaram que nos dois últimos dias muitos eventos internos foram cancelados por falta de audiência.
Muitos também revelaram que em determinados momentos faltaram fontes para dar entrevistas e houve necessidade de deslocamentos para hotéis de Copenhague a fim de procurar informações com gente muito capacitada que veio à COP-15, mas não conseguiu entrar no Bella Center. Será que essa foi a verdadeira intenção da organização quando usou a desculpa de excesso para cortar participação social na COP-15? Há que se refletir e investigar essa questão.
Mas alguns aspectos positivos ficam de legado. Um deles foi a participação ativa de países menores que souberam se manifestar contra decisões tomadas por poucos. Tuvalu, por exemplo, o pequeno país-Ilha do Pacífico que corre o risco de desaparecer caso o nível do mar aumente como previsto pelos cientistas, foi o primeiro a dizer que não aceitava assinar o acordo que havia sido finalizado a portas fechadas pelos presidentes dos Estados Unidos e dos emergentes batizados de Basic (Brasi, África dos Sul, India e China). Outros seguiram o mesmo caminho (Bolívia, Cuba, Sudão e Venezuela) e se negaram a compactuar com um texto final que não expressava compromissos com metas de redução de emissões por parte das nações desenvolvidas.

Lições aprendidas
Para quem não conseguiu credenciamento e teve que trabalhar nas ruas, nas áreas externas do Bella Center e sem acesso a fontes oficiais da COP-15, como eu, foram muitas as dificuldades. Mas também inúmeras as lições aprendidas com as pessoas com quem conversei, vindas do Brasil e também de outros países, enfrentando limitações financeiras, sofrendo com as baixas temperaturas e demais obstáculos.
Além daqueles que não desanimaram diante das barreiras diárias enfrentadas no Bella Center, quem foi às ruas pedir soluções em defesa do equilíbrio climático, enfrentou a polícia, fez um apelo usando faixas e cartazes, trouxe soluções e idéias pra discutir no espaço dedicado aos movimentos sociais (o KlimaForum09) entre tantas outras ações, ajudou a renovar as minhas esperanças na capacidade de mobilização da sociedade em defesa das causas humanitárias e ambientais.
Saio de Copenhague com a certeza de que a mídia deu uma excelente contribuição ao esclarecimento sobre os erros e acertos dessa convenção, contextualizando, informando com clareza e analisando os riscos que o ambiente, a economia e a sociedade estão correndo com o aumento da temperatura da Terra. A sociedade entendeu as mensagens, se fez presente e está mais atenta do que nunca aos próximos passos dessa caminhada, ainda que descontente com a falta de ação daqueles que afirmaram que vieram aqui para agir.
Veja mais informações sobre a COP-15
http://blogdareport.blogspot.com/

sábado, 19 de dezembro de 2009

As vozes de Copenhague

Elizabeth Oliveira, De Copenhague

Diante da evidente falta de vontade política dos líderes que vieram em Copenhague para negociar um acordo robusto de enfrentamento das mudanças climáticas, certamente a melhor recordação que fica da COP-15, foi o que se viu do lado de fora do Bella Center, centro de eventos oficiais da mais badalada e frustrante Cúpula do Clima da ONU, nas últimas duas semanas. Sem credenciamento, enfrentando todo tipo de adversidade, ativistas e cidadãos anônimos deram os seus recados e clamaram por justiça climática. A expressão que já caiu na boca dos europeus, incentivando a criação de inúmeros movimentos sociais, é um apelo em nome principalmente dos povos mais pobres do planeta, aqueles que serão os mais castigados pelos efeitos do aumento do aquecimento global.

Salvem Tuvalu!
No KlimaForum09, onde estiveram reunidos milhares de militantes de organizações e movimentos sociais, durante duas semanas, em local afastado do Bella Center, inúmeras mensagens pelo clima estavam nos corredores. Entre tantas que chamavam a atenção se destacavam os apelos vindos de Tuvalu, pequenas ilhas do Pacífico Sul que correm o risco de sumirem do mapa em conseqüências do aumento do aquecimento global, para desespero de cerca de 12 mil habitantes.

30 milhões estão em risco em Bangladesh
Mohammad Shahidur Rahman, o solitário militante ambiental vindo de Bangladesh, esteve no KlimaForum, mas também marcou presença nas imediações do Bella Center por vários dias, a fim de chamar atenção para a situação de seu pais, onde 30 milhões de pessoas correm perigo de desastres ambientais em conseqüência das mudanças climáticas.

Os riscos do metano
Nos cartazes que carregavam pelas imediações do Bella Center e em outras áreas da cidade, os manifestantes alertavam: o metano é 70% mais danoso ao meio ambiente que o carbono.

Herois vegetarianos
Um movimento pró-vegetarianismo marcou forte presença durante toda a COP-15, distribuindo sanduiches naturais e buscando convencer a sociedade sobre a importância de uma dieta sem carne pelo equilíbrio climático.

Urgência climática
Militantes pedem o corte de 10% de emissões até 2010, o fim dos vôos domésticos e do uso de agrotóxicos. Defendem também a criação de 1 milhão de empregos para combater as mudanças climáticas.

A solução é o amor
Não duvidem de que o amor também é apontado como solução para o enfrentamento das mudanças climáticas. Há um movimento pedindo que se dê ouvidos ao coração e que também marcou presença em Copenhague. Trata-se da The Supreme Master Ching Hai International Association.

Voluntários pelo clima
As jovens Jamie e Harley vieram da Califórnia para trabalhar como voluntárias durante duas semanas no KlimaForum. Para elas, o esforço por uma boa causa, compensa todas as dificuldades enfrentadas na capital da Dinamarca. Estiveram presentes ao Bella Center para fazer a propaganda desse espaço alternativo de diálogo.

Juventude engajada
Jovens com muita disposição e consciência crítica sofreram agressões da polícia dinamarquesa, mas mantiveram a firmeza de seus ideais e gritaram palavras de ordem pelas ruas de Copenhague por onde marcharam por mais de quatro horas sob o frio e a neve da última quarta-feira, 16.

O circo vem aí!
O espírito brincalhão da marcha teve fantasias de palhaços e o uso de uma grande lona colorida que a garotada jogava pro alto num gesto de deboche que expressava o que pensavam sobre a COP-15.

Justiça, palavra-chave
Nas costas de uma militante que participou da marcha de quarta-feira, a palavra que mais se ouviu dos manifestantes reunidos em Copenhague nas últimas duas semanas: Justice.

Líderes agem, ou não!
No ônibus do Greenpeace, uma mensagem que tem tudo a ver com o que se passou em Copenhague durante a COP-15. “Políticos conversam. Líderes agem.”. Certamente, aqueles que aqui estiveram com a incumbência de decidir sobre o futuro das condições climáticas do planeta foram mais políticos do que líderes.

Este texto está também em

http://revistaplurale.blogspot.com/

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O clima pode esperar?


Eliabeth Oliveira (texto e fotos),
de Copenhague

A COP-15 chega à reta final cercada de muitas incógnitas. Informações divulgadas pela mídia no Brasil e do mundo nesta quinta-feira, 17, falam da possibilidade de não sair um acordo pelo equilíbrio climático, amanhã, durante o encerramento das atividades. Nos bastidores da tumultuada Cúpula do Clima em Copenhague também circulam notícias que dão conta de um adiamento de um novo pacto para dezembro de 2011, na COP-16, no México.

Presente na capital dinamarquesa onde tem participado de conversas com nomes de peso como o primeiro ministro britânico Gordon Brown, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na reunião de líderes, apelando para o sentido de urgência e para a responsabilidade daqueles que vieram ao encontro com uma missão a cumprir. Se falharem, disse ele, serão cobrados por terem sido negligentes em um momento histórico.

Vamos esperar para ver o desfecho.

Mas e o clima do planeta, até quando será que pode esperar?
Depois de momentos de tensão protagonizados pelo forte aparato policial que não poupou manifestantes de agressões físicas na quarta-feira, o clima era de aparente calmaria nas imediações do Bella Center, área destinada às reuniões e eventos oficiais da COP-15, nesta quinta-feira. Do lado de fora, uma temperatura de – 3ºC com sensação térmica de – 10ºC afastava o ânimo de qualquer manifestante. Somente duas bravas jovens adeptas do vegetarianismo (veja a foto), mantinham estendida uma faixa que coloca a dieta sem carne como uma das saídas para combater o aquecimento global (na foto do alto, os trilhos do metrô tomados pela neve).
Lá dentro, porém, as discussões estavam acaloradas e a falta de consenso ainda era uma ameaça ao pacto. O risco de que a Conferência do Clima mais badalada da ONU chegue ao final como o maior fiasco da história ainda é grande.
Os jornais locais, incluindo o dinamarquês Berlinsgke, respeitado veículo do país, estampava na capa a violência policial contra os jovens que tentaram entrar no Bella Center ontem para dizer o que pensam sobre as soluções consideradas urgentes ao equilíbrio climáticos. Foram barrados e covardemente espancados, mesmo diante de todos os jornalistas que estiveram no local. Os manifestantes, porém, não se intimidaram e deixaram como lição, ao caminhar por mais de 4 horas mesmo sob o frio e à neve, a certeza de que a sociedade está mais atenta do que se imagina e que não vai tolerar meias respostas como desfecho da COP-15.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O Velho Jota

Há no amor alguma coisa de incompreensível, de irracional.
Mas o amor é exigente. A quem Você ama, Você espera o retorno de um amor tão grande quanto o seu.
Se este amor de causa sofrimento, sua vontade é causar um sofrimento igual – ou maior.
Mas, e quando se ama sem se exigir nada em troca?
Quando se ama alguém que já partiu, que já não está mais, que não é mais tocável, que já não pode mais lhe retribuir? Então esse amor é muito maior – um amor sem exigência, incondicional.
Certamente é esse o amor que levou Wanda Nestlehner a reunir depoimentos sobre seu marido, João Vitor Guzzo Strauss, e publicar o livro “Velho Jota”.
São 48 depoimentos que trazem de volta ao nosso convívio esse jornalista, essa pessoa espetacular que foi João Vitor.
Ele chegou ao Jornal da Tarde em 1968 – eu já estava lá há alguns meses -, foi transferido para a sucursal do Rio de Janeiro e depois voltou para a redação do Jornal da Tarde em São Paulo. Na época, eu trabalhava na editoria de Esportes e ele na editoria de Economia.
Tínhamos contato diário, profissional, como se permite no local de trabalho. Às vezes, na mesa de um bar ali nas redondezas da rua Major quedinho, antiga redação do Estadão e do JT.
Depois, João Victor saiu do JT e percorreu os mundos de outras redações. São mundos imensos e nossos contatos ficaram cada vez mais raros: um evento jornalístico, uma mesa de bar – e só.
João Vitor se foi muito cedo, vitima de enfarte fulminante, quando tinha 55 anos e, aparentemente, muita vitalidade.
Dez anos após a sua morte, Wanda reuniu amigos que escreveram sobre João Vitor.
Na orelha do livro, o jornalista Ricardo Setti, meu contemporâneo no JT, e companheiro de João Vitor em outras redações, avisa: “Caro leitor, não hesite em mergulhar neste livro. Você talvez imagine que será triste ler as páginas que se seguem, porque afinal o João Vitor se mandou cedo demais e faz uma falta tremenda. Mas que triste, nada. Os 48 depoimentos de Velho Jota contêm uma extraordinária riqueza e farão você se emocionar, se divertir e, sobretudo, se surpreender.”
E é isso mesmo.
Velho Jota tem 208 páginas, custa R$ 30,00 e está à venda na Livraria Cultura, de SãoPaulo - 11 3170 4033 - www.livrariacultura.com.br