Lá se foi Wando.
Lá se foi um romântico.
Lá se foi um brega.
Segundo o dicionário Aulete, brega é aquela pessoa excessivamente romântica; é aquilo que não refinado; que não é chique ou que tem não é estiloso; que apela para o gosto popular; é uma música com dramaticidade exagerada, geralmente feita para camadas populares.
Mas o brega é belo, o brega é ótimo.
Segundo a descrição do Aulete, Roberto Carlos é brega; Nélson Gonçalves também; Ray connif então, nem se pode falar.
O que não for brega hoje, certamente será amanhã.
O tempo é brega.
Há poucos dias, ouvia Raul Seixas no meu carro, quando meu netinho, de oito anos, afirmou do alto de sua sabedoria: “Vô, que música mais brega!”
Não há escapatória.
Eu serei brega – se é que já não sou. Você também.
Lembro-me que ali pela metade dos anos 70, eu e a Primeira Dama desse blog, viajamos para a Bahia, em mais uma das muitas luas de mel, e deixamos nossa filhinha de três anos na companhia da avó dela, minha sogra (que Deus a tenha) em Belo Horizonte.
Naquela época, as ligações telefônicas interurbanas eram caras e difíceis.
Então, combinamos que ligaríamos duas vezes por semana, no mesmo horário, para ter notícias da nossa filhinha e para ouvir a voz dela.
A sogra dava um relatório rápido: tá tudo bem, ela não chorou, fiquem tranqüilos.
E passava o telefone para a filhinha, a Verênia, que falava alguma coisinha e começava a cantar a música que ele gostava: Moca, do Wando.
Dou outro lado, eu e a Primeira Dama colávamos o ouvido no fone e deixávamos as lágrimas correrem ouvindo aquela vozinha tão gentil, tão carinhosa, cantando aquela música tão desavergonhada.
Ela só sabia estes versos:
Eu quero me enrolar
Nos teus cabelos,
Abraçar teu corpo inteiro,
Morrer de amor,
De amor me perder.
Era o bastante para nos emocionar, nos levar às lágrimas e marcar para nunca mais esquecer.
Lá se foi Wando.
Que fez de suas músicas sublime erotismo, o picante suave, a doce sacanagem.
Se Você gosta, clique no linque abaixo e curta o som:
http://www.youtube.com/playlist?list=PL3860AE21F99B877B

MMarinho. Essas mortes repentinas, me assustam.
ResponderExcluirNão de medo pois esse acontecimento é inexorável. É o pavor de não ter tempo de dar um tchau, um último beijo, um agradecimento e um pedido de desculpas. De dizer que amei a vida e que ela me foi bela. Wando foi apenas mais um que não teve tempo de dizer um "até logo".Moura
Pois é meu caro Moura, a ninguém é dado o direito de saber qual é mmento dele.
ExcluirO ideal seria se a gente vivesse, não se despedindo, mas como se fosse uma despedida...
Abraços.
MMarinho.
ExcluirEsse é o grande mistério do cristianismo. Ele nos faz com que estejamos sempre prontos para a grande hora.
Moura