Ficou de ótimo tamanho.
No Continental Clube (lá em baixo falo sobre a final do tênis), a bem da verdade, nem houve muita gozação em cima dos santistas: havia mais um sentimento de dó. Eles, santistas que na véspera já se consideravam campeões do mundo e Neymar o melhor de todos, eram vistos com o sentimento de dó, de comiseração, de pena, de piedade.
Assim como se olha para alguém que acabou de ser espancado.
Foi esse também o sentimento geral no ótimo churrasco de confraternização de fim de ano promovido no Condomínio Villa Dell’Acqua, onde moro.
Ficou claro, escancarado que a distância entre o Barcelona e o Santos é algo tão inimaginável quanto o pré-sal.
Muricy tentou se defender, escalou três zagueiro que deveriam funcionar como uma inexpugnável muralha.
Mas, qual o quê.
Aliás, leio hoje o repórter do Uol descendo o cacete no Muricy Ramalho, apontando-o como o grande culpado pela derrota. Diz lá o cara que durante cinco meses Muricy estudou e treinou à exaustão um esquema de jogo para, no dia da final, escalar um time que não havia feito um treino sequer.
Bobagem, grande bobagem.
Muricy poderia treinar esse time um ano inteiro e seria batido pelo Barcelona do mesmo modo.
A diferença não é apenas tática, mas é técnica e filosófica.
Técnica porque os jogadores do Barça são melhores. Filosófica porque coloca em campo muito mais do que um esquema: uma filosofia administrativa, uma filosofia de comando de time, de equipe, de clube.
Outra boa definição foi dada por um jornal esportivo de Barcelona: “Deuses e Santos”. Ou seja: de um lado, havia deuses; de outro, apenas santos. Aí é covardia.
Na Argentina,o jornal Olé estampou a manchete: “Gênio só existe um”, referindo-se, obviamente, à comparação entre Neymar e Messi. Realmente, nesse momento, não dá para comparar.
Aqui no Brasil, gozações em cima do garoto Neymar.
Com B de Brasil – Barcelona se escreve com o mesmo B de Brasil.
Foi isso que o técnico Pepe Guardiola, do Barça, explicou após o jogo, quando lhe perguntaram e o seu time havia reinventado o futebol. Sua resposta: “Nós só fazemos aquilo que o Brasil fez a vida toda: tocar a bola. Foi isso que o meu pai e os meus avós sempre disseram que o Brasil fazia”.
Está certo ele: fazia.
Campeão – No torneio de tênis do Continental Clube, promovido e organizado pelo competente Dinho, eu e o Jari nos sagramos campeões na final contra a forte dupla formada pelo Odair Costa e o Sérgio Mendes.
Pelo regulamento, a final seria disputada em melhor de três sets.
Foi jogo duro. No primeiro sete, a dupla Odair-Sérgio abriu 5 a 2.
| Da esquerda para a direita: Jari, Sérgio, Mário e Odair |
No começo do segundo set, Odair sentiu um estiramento muscular, talvez motivado pelo esforço despendido no primeiro set ou à própria tensão, nervosismo que um jogo duro provoca. A contusão o impediu de continuar no jogo. Sendo assim, eu e o Jari, que não perdemos nenhum dos quatro jogos disputados até chegar à final, ficamos com o título de campeões.
Coube ao valoroso adversário o nobre título de vice.


Marinho, está havendo uma tendência na imprensa esportiva e (sobretudo) dos jogadores, de endeusar o Barcelona.
ResponderExcluirÉ o maior time do mundo, óbvio.
Mas não ganharia de quatro se tivesse um adversário pela frente.
Não teve.
Um time só consegue quase 80 por cento de posse de bola se o adversário não for em cima de quem tem a bola dominada; e se, após roubá-la, não errar passe de três metros.
O Santos (não só o Santos, todo o futebol brasileiro de hoje é assim) foi tímido, ausente, tirou o pé, não cercou o adversário, não adiantou a marcação.
E errou passes ridículos.
Quando, em um raro momento, um jogador do Santos pegava a bola, três do Barcelona pulavam em cima dele, mesmo ganhando de quatro e com o jogo decidido.
Sabe, não achei uma vergonha, não. A derrota foi uma opção do Santos. O futebol brasileiro de hoje se nega a jogar e suar a camisa, nega o profissionalismo. E acho que dois anos é muito pouco para mudar essa mentalidade. Vai dar vexame em 2014, dentro e fora de campo.
Mas vocês não ajudam dizendo que a "culpa" é do Barcelona. Assim, fica tudo justificado. É triste.
MMarinho. Já disse que craque que é craque não precisa de fantasiar. Craque joga no domingo contra o Real Madri, viaja da Espanha para o Japão, joga na quarta contra time do Catar e joga novamente no domingo pra decidir título mundial. Craque se faz presente em todas as ações do time, defende, arma e faz dois gols. Quando se diz que o adversário ( do Barcelona )vai disputar título mundial, espera-se " o adversário" . Foi uma vergonha o que se viu, depois de tanta badalação, tanto descanso, tanto treino, etc. Resultado: o patrimonio do Clube ficou reduzido pela metade. Caiu a máscara. Moura
ResponderExcluirMMarinho.
ResponderExcluirParabens pelo Título. Não é porque a visita se retirou antes de acabar o jantar , que a comida não estava boa.
Abraços,
Moura
Caríssimo Portela.
ResponderExcluirVocê termina o seu comentário dizendo: “Mas vocês não ajudam dizendo que a "culpa" é do Barcelona. Assim, fica tudo justificado. É triste”.
Acredito que eu não esteja entre o “Vocês” colocado assim, numa vala comum.
Afinal, eu não culpo o Barcelona. Pelo contrário: acho que o Barcelona não tem culpa de estar tantos anos à frente de seu mais próximo adversário.
O Santos não jogou, eu concordo com Você.
Mas a questão da posse de bola não acontece devido apenas à fraqueza do Santos. Na Liga dos Campeões da Europa, o Barcelona tem a média de 68% de tempo com a bola nos pés. Quem chegou mais próximo foi o Valência, com 60; em terceiro o Manchester United, com 59.
Na fase de Grupos da Liga, o Barcelona jogou seis vezes, venceu cinco e empatou um jogo. Marcou 20 gols e sofreu apenas quatro. Bela estatística, não?
É bom lembrar que nos dois últimos anos, sob o comando de Joseph Guardiola, o Barcelona conquistou 13 títulos: 2 Mundiais; 2 Liga dos Campeões da Uefa; 2 Supercopas Européias; 3 campeonatos nacionais da Espanha; 1 Copa do Rei; 3 Supercopas da Espanha.
Não dá para estranhar que haja uma “tendência da imprensa esportiva em endeusar o Barcelona.”
Endeusa-se o Barcelona, como endeusado foi o Santos nos anos 60; a Seleção Brasileira em 1970 e 82 (quando nem sequer foi campeã); o São Paulo de 1992 e 93, com Telê Santana; o Ajax, da Holanda; o próprio Barcelona no final dos anos 80; o Real Madrid nos anos 60...
É só fazer por merecer.
Marinho:
ResponderExcluirOK querer "salvar" o Murici - mas por declarações dadas pelo próprio, ele parecia "surpreso"com o que o Barça fez !!!!!!
Ora - era só pegar um simples DVD (de 4 ou mais anos para cá) para ver como os "caras" tratam a bola.
Faltou "verba" para o DVD ou faltou HUMILDADE ???
Fica a duvida no ar!
Ely
Desculpe pelo vocês. É uma figura de linguagem. No texto politicamente correto a gente tem de usar os sujeitos partitivos. "Alguns de vocês"; "a maioria de vocês". "Boa parte". É chato, pô. Não quis acusar ninguém. Estava subentendido que não são todos. Não existe unanimidade ou vala comum. Não é texto jurídico, não preciso desses cuidados.
ResponderExcluirApós aquilo que escrevi, no calor da frustração (e, você sabe, não sou santista, mas amo o futebol brasileiro), outros tiveram quase a mesma opinião.
Marinho, também não sou especialista, mas vejo futebol desde moleque. O Santos não jogou nada. Quando alguém do Barcelona tinha a bola, alguém do Santos deveria ir em cima. O Barcelona, na vez dele, cercava com três. Mas o Santos foi respeitoso, diplomático, cortês (veja que só uso palavras doces...) O que eu quis e quero dizer é que dá para jogar com o Barcelona, empatar e até ganhar. Mas tem tem de ter vontade, garra. O futebol brasileiro de hoje é o Santos, infelizmente. Delicado, modesto, desistente. Sem dúvida: é mais fácil dizer que o Barcelona é de outro planeta do que assumir a própria inconsistência, tenha a justificativa que tiver. Eu admito que é de "outro planeta", sim, então vamos fazer companhia a ele por lá.
Abraços