Existem três profissões que têm importante ponto em comum: os economistas, os meteorologistas e os jornalistas esportivos.
A cada dia que passa, os três se tornam mais especialistas em explicar acontecimentos do que antevê-los, como seria o ideal.
Desde Adam Smith, que nasceu por volta de 1720 e morreu setenta anos depois, os economistas se debruçam em livros, estudam anos a fio e traçam os rumos econômicos do mundo.
E erram.
Você duvida? Como é que não previram eles a crise de 2008 que abalou a economia dos Estados Unidos, o país mais rico do mundo e considerado uma fortaleza inexpugnável?
E as previsões para a inflação, crescimento do PIB, taxa de juros e outro quesitos que são corrigidos a cada momento?
Imagine economistas dirigindo equipes de Fórmula: a cada volta seria necessário parar o carro para promover reajustes.
Os meteorologistas de hoje se dedicam mais a explicar por que choveu ontem do que, o que seria mais plausível, se amanhã choverá ou não.
E sempre têm boas explicações: ora é uma frente fria que chegou inesperadamente ou uma frente quente; quem sabe os efeitos do El Niño ou a braveza da El Niña. Ah!, e também um ponto de convergência vindo do centro-oeste ou as rajadas de ventos nascidas no litoral... e por aí vai.
Jornalista esportivo também é assim.
Certa vez, o excelente jornalista Murilo Felisberto, que Deus o tenha, então redator-chefe do Jornal da Tarde, ao ouvir minhas explicações para um resultado inesperado (como, por exemplo, o meu pequeno América vencer o gigante Corinthians), disse-me: “Marinho, eu admiro Vocês jornalistas esportivos: Vocês têm muita imaginação, estão sempre explicando o inexplicável”.
E com razão.
Os mesmos argumento usados para explicar uma derrota, podem ser usados na vitória.
Um exemplo: o Santos perdeu para o Barcelona e muitos culparam o técnico Muricy Ramalho por ter mudado o esquema tático do time, escalando três zagueiros. Se o Santos tivesse vencido, Muricy teria sido elogiado por antever o perigo e optar por um esquema mais cauteloso.
Por aí vai.
Lá se foi – Não tem mais jeito: lá se foi o ano de 2011. Tenho a sensação de que esse ano não levou mais do que seis meses para acabar. Passou com a velocidade de quem tem pressa e anda a passos largos.
A sensação não é só minha.
Recebi do amigo Álvaro Lopes uma bela mensagem de fim de ano, da qual reproduzo um trecho:
Que o ano novo chegue correndo
De vento em popa,
Mas que passe devagar,
No ritmo do navio.
Mas, pensando bem, porque lamentar que o ano passou depressa?
Afinal de contas, desde criança estamos acostumados a ouvir: o que é bom, dura pouco.
E é verdade, sábia verdade.
Quando Você está assistindo a um bom jogo de futebol, daqueles com gols, bolas na trave, dribles espetaculares, jogo pegado o tempo passa rápido. Ao ouvir o apito de fim de jogo do juiz, Você se assusta: o quê, já acabou?
Férias, então, nem falar. Quando ainda se usavam as férias de 30 dias, elas terminavam, invariavelmente, em 15 ou 20 dias. Era um sufoco.
O mesmo vale para o cinema, uma boa peça de teatro, um livro etc.
Já o contrário... Aquele jogo chato, zero a zero insuportável parece interminável.
E quando Você está no teatro e a peça não evolui, não encaixa, não anda – aí, o tempo não passa. Você mexe e remexe na poltrona, olha o relógio disfarçadamente, mas cinco minutos demoram quase meia hora para passar.
Portanto, meu amigo, desejo a Você que o ano passe em seis meses. Que seja tranqüilo, que o mar fique sempre calmo. Foi assim, durante uma calmaria que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil.
Que o ano seja de calmaria e a calmaria de boas descobertas.


Marinho.
ResponderExcluirMuito bom o texto sobre os jornalistas esportivos, relembrando a definição do saudoso Murilo.
Um abraço. Feliz Ano Novo.
Luiz Carlos Ramos
MMarinho. Nada que faça o tempo correr em ritmo de tartaruga. Nada que mude as 24 hrs do dia. Nada que mude o início do nosso processo de envelhecimento, assim que nascemos. Quando o tempo nos parece célere é porque tivemos muitas ocupações. O ócio sempre é lento. Mas todos ocupam o mesmo espaço de nossos tempos. Previsões, perspectivas, visões....sobre isso vc já falou tudo.
ResponderExcluirGde. Abç Moura.
Muito bem colocado o tema sobre o tempo. Dizem uns que esta relacionado à ocupação do nosso tempo, outros que se refere às nossas experiências, quanto maiores, mais ficamos no automático e menos percebemos o tempo passar. Tem até quem diga que o universo está mesmo mais rápido. Acho que é pura sensação humana. Ah, já ia me esquecendo, conheço uma empresa em que a prática são 30 dias de férias, num momento em que isso já não é mais usado.
ResponderExcluirE feliz ano novo!
Feliz Ano Novo
ResponderExcluirParabéns pelo texto, como sempre, brilhante
Beijos
Enviado via iPhone
Jorge Assef Neto
Amigo MM, esta divertido seu ultimo post do ano.
ResponderExcluirPartilho com os demais. Recomendo a visita.
Obrigado pela citação.
AL